O capítulo 24 de Gênesis narra o casamento de Isaque com Rebeca. No texto, encontramos o servo, que representa o Espírito Santo; Abraão, uma representação de Deus; Isaque, de Jesus; e Rebeca, a Igreja do Senhor. Esse servo viaja uma longa distância para encontrar sua noiva. Ele ora, pedindo um sinal: que a jovem a quem pedisse água se dispusesse, como boa serva, a oferecer também água para os seus dez camelos. Que moça teria tamanha disposição? Somente aquela cujo coração estivesse tomado por Deus – Seu dom é um presente de Deus que alarga suas fronteiras.

O servo contou a Rebeca tudo sobre Abraão e sobre o noivo, e, claramente, ela vai se encantando por Isaque. Deus coroou sua missão com êxito.

A família de Rebeca pergunta se ela desejaria acompanhar o servo. Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você quer ir com este homem?” “Sim, quero”, respondeu ela (Gênesis 24.58), e quando prontamente disse “sim”, a vida dela mudou. A mesma pergunta é feita a nós: “Você quer seguir esse caminho para se encontrar com o Noivo, que é o nosso Senhor Jesus?” A família, então, a despede, a abençoa e libera palavras de destino sobre Rebeca. Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam. E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe: “Que você cresça, nossa irmã, até ser milhares de milhares; e que a sua descendência conquiste as cidades dos seus inimigos” (Gênesis 24.59 e 60).

No momento em que estavam chegando ao destino onde Isaque habitava, Isaque retornava do campo, da oração e do poço chamado Beer-Laai-Roi, que significa “O Deus que me vê”. Isaque ainda não havia sido completamente consolado pela perda de sua mãe. Rebeca desceu do camelo e perguntou quem era aquele homem que voltava do campo ao encontro deles. E o servo respondeu que era Isaque, o seu senhor.  Ela se cobre com o véu, gesto que revela sua pureza, encontra-se com o noivo, e ele a ama profundamente. Leva-a para a tenda de sua mãe, Sara, e Rebeca o consola pela perda materna. 

Esse capítulo nos oferece lindos e profundos ensinamentos, mas gostaria que você se atentasse a uma figura quase despercebida nessa Escritura, Débora, a ama de Rebeca

Débora aparece de modo singelo, porém significativo. Ela acompanhou a jovem e inexperiente Rebeca, permanecendo ao seu lado para auxiliá-la. Ela foi uma serva que viveu para cuidar de uma família. Débora, a ama de Rebeca desde a juventude, surge nas páginas das Escrituras quase como um sussurro, mas sua presença carrega um peso espiritual e emocional que atravessou gerações. 

Era comum, na antiga cultura patriarcal, que uma ama permanecesse a vida inteira ao lado da mulher a quem servia, acompanhando seus ciclos, segredos, dores e alegrias. Foi provavelmente ela quem cuidou de Rebeca nos seus primeiros anos, quem compartilhou com ela o espanto da partida rumo à nova vida ao lado de Isaque, e quem presenciou a formação daquela família prometida por Deus. Essas mulheres, silenciosas e quase invisíveis, carregavam em si a memória viva das casas que serviam. Só isso já explicaria a ligação profunda que existiria entre Débora e os filhos que Rebeca geraria, Esaú e Jacó.

A Escritura não descreve de maneira explícita o momento em que Débora passa a morar na casa de Jacó, mas o contexto nos conduz a uma compreensão natural. Rebeca, provavelmente já havia falecido e Débora foi viver na casa de Jacó. A ama que havia cuidado da mãe torna-se agora presença de conforto na vida do filho. A tradição judaica preserva justamente a imagem de uma mulher que atravessou gerações para servir como ponte afetiva entre Jacó e a mãe ausente.

A vida de Jacó até então fora marcada por conflitos, fugas, erros e reencontros difíceis. Ele deixou a casa dos pais fugindo da ira do irmão, sofrendo enganos e manipulações sob o teto de Labão, carregado de tensões conjugais e familiares, e vivido anos à espera de uma reconciliação que parecia distante. No meio dessa travessia, Débora era a presença estável, uma espécie de raiz afetiva plantada no coração de um homem sempre em movimento. Ela conhecia sua história desde antes de ele nascer, conhecia as dores de Rebeca e os caminhos de Isaque, e trazia consigo uma memória de ternura que ele não encontrara em mais lugar algum.

Débora, ama de Rebeca, morreu e foi sepultada perto de Betel, ao pé do carvalho, que por isso foi chamado Alom-Bacute (Gênesis 35.8). Quando a Escritura registra que Débora morreu, e que o lugar de seu sepultamento recebeu o nome de Alom-Bacute, o “carvalho do pranto”, não se trata de um detalhe acidental. A lágrima de Jacó era muito mais do que o lamento pela morte de uma serva amada. Era o pranto pela ruptura de seu último elo com a mãe. Rebeca já havia partido, silenciosa, sem narrativa, sem despedida. E Débora era a lembrança viva de tudo o que Jacó havia perdido, a voz que lhe recordava quem ele era e a quem pertencia. Ao sepultar a ama, ele sepultava também uma parte profunda de sua própria história.

Logo depois, Deus aparece novamente a Jacó. É como se, após o pranto junto ao carvalho, uma etapa se encerrasse definitivamente. O patriarca volta a Betel, lugar de sua primeira experiência com o Senhor que o acompanhava desde a juventude, e ali sua identidade foi reafirmada, não seria mais apenas Jacó, mas Israel. Débora, a ama, viveu à sombra da tenda de outros, dedicando-se a cuidar de uma família que não era biologicamente sua, mas que se tornou sua missão. Sua história, quase oculta, revela o poder daqueles que sustentam vidas sem aparecer, que levam alívio, e mostra como Deus valoriza o serviço fiel, a memória, a ternura e a presença silenciosa de quem caminha ao lado dos seus. Por isso seu nome permaneceu registrado, não para ocupar um trono, mas para lembrar que o Reino de Deus também avança por meio daqueles que servem em silêncio.

Quando Jacó perdeu a ama que acompanhava sua família e a própria vida, chorou profundamente. Foi um momento difícil, pois, em um curto espaço de tempo, Jacó perdeu Raquel, sua esposa, durante o parto de Benjamim.

Agora, vamos para esta outra Escritura, para entendermos com mais profundidade. Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, que em grego é Dorcas, que se dedicava a praticar boas obras e dar esmolas. Naqueles dias ela ficou doente e morreu, e seu corpo foi lavado e colocado num quarto do andar superior. Lida ficava perto de Jope, e, quando os discípulos ouviram falar que Pedro estava em Lida, mandaram-lhe dois homens dizer: “Não se demore em vir até nós”. Pedro foi com eles e, quando chegou, foi levado para o quarto do andar superior. 

Todas as viúvas o rodearam, chorando e mostrando-lhe os vestidos e outras roupas que Dorcas tinha feito quando ainda estava com elas. Pedro mandou que todos saíssem do quarto; depois, ajoelhou-se e orou. Voltando-se para a mulher morta, disse: “Tabita, levante-se”. Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Tomando-a pela mão, ajudou-a a pôr-se de pé. Então, chamando os santos e as viúvas, apresentou-a viva (Atos 9.39-42).

Na Bíblia, as viúvas eram as mulheres vulneráveis que dependiam do cuidado de Deus. 

Dorcas servia com suas habilidades; era costureira. Ela usou esse dom para vestir os necessitados e cuidar das pessoas ao seu redor. Mas agora, a serva que vestia os carentes morreu. Ela, porém, era uma figura tão importante que sua morte não foi aceita, de modo que ninguém preparou um sepultamento; levaram-na para um lugar mais alto.

A serva foi levada para um lugar mais alto. Servos sempre serão colocados em lugares elevados. Ao chamarem Pedro, todos tinham esperança de que aquela serva seria ressuscitada.

Duas mulheres que viveram para servir. Uma dedicou sua vida a uma família e, ao morrer, deixou profunda saudade, dor, pranto e falta. Ela viveu para servir à família de Rebeca. A outra, Dorcas, serviu aos necessitados e, quando morreu, a dor foi tão intensa que as pessoas não aceitaram sua partida. Ela não era uma costureira comum; era uma servaUsou suas habilidades para vestir os nus.

Quando o Espírito Santo trouxe essa Palavra ao meu coração, Ele me alertou para algo que vem acontecendo com muitas pessoas. O espírito de servo que foi colocado em cada um de nós, em alguns, morreu — e, no entanto, o maior é sempre aquele que serve. Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve (Lucas 22.27)

Servir é doar a vida, é viver por algo maior do que si mesmo.

Na história, encontramos reis que morreram e não deixaram nenhuma saudade, mas essas mulheres, que viveram de forma tão discreta, sem grande expressão, fazendo coisas que pareciam menores, foram justamente as que causaram impacto, marcaram gerações e deixaram saudade pela falta que fizeram.

É hora de as Dorcas ressuscitarem! É hora do espírito de servo, que em muitos morreu, voltar à vida. Onde estão aqueles que tinham prazer em cuidar de famílias, levar alívio aos outros? Onde estão aqueles que tinham prazer em vestir os nus? São muitas as pessoas que cruzam o nosso caminho e que estão nuas espiritualmente — e quem irá vesti-las, discipulando, conduzindo, ensinando, cuidando delas, vivendo além de si mesmo? A resposta é simples: nós, com nossa vida, nossa energia, nosso temponossos recursos, nosso amor, nossa atenção.

Que vivamos além de nós mesmos! Que vivamos uma vida doadora, que vá além de nós. Construa seu mundo fundamentado na missão. Organize sua vida de modo que tudo parta de um propósito maior do que interesses pessoais. Quando a missão se torna o eixo da nossa existência, as escolhas deixam de ser guiadas apenas por conveniências, sentimentos momentâneos ou ambições passageiras, e começam a ser moldadas pela consciência de que se vive para algo que transcende o próprio eu.

A missão confere direção. Ela evita que a alma se disperse em caminhos que não levam a lugar algum e sustenta a pessoa nos dias em que o coração vacila. Quando alguém vive movido pela missão, descobre que não precisa de aplausos para continuar, nem de reconhecimento para permanecer fiel; a força vem de dentro, porque está ancorada naquilo que Deus colocou como propósito de vida. Há um alinhamento entre vocação, identidade e prática.

Nesse tipo de vida, a missão passa a influenciar o modo como se trabalha, como se serve, como se ama, como se administra o tempo e como se interpretam as circunstâncias. A missão se torna a lente que filtra decisões e a bússola que evita desvios. O mundo que se constrói a partir dessa lente é mais firme, porque não depende das oscilações; é mais frutífero, porque cada passo é intencional; é mais coerente, porque tudo converge para um destino definido.

A vida fundamentada na missão expande a pessoa. Ela faz com que a habilidade, o dom, a dor, o encontro, as oportunidades ganhem sentido. A missão dá coesão ao nosso estilo de vida e nos transforma em ofertas vivas, e passamos a nos compreender como parte de algo maior, que serve, que alcança e que permanece.

Eu abençoo sua vida em nome de Jesus. 

———————————————————–

Fevereira de 2026 – Quem desiste não faz história Quem desiste não faz história Quem desiste não faz história Quem desiste não faz história Quem desiste não faz história Quem desiste não faz história Link: Edição.

Edição de Fevereiro de 2026

PALAVRA DE

Vida e Fé:

Seu dom é um presente de Deus que alarga suas fronteiras

Seu dom é um presente de Deus que alarga suas fronteiras

O capítulo 24 de Gênesis narra o casamento de Isaque com Rebeca. No texto, encontramos o servo, que representa o Espírito Santo; Abraão, uma representação de Deus; Isaque, de Jesus; e Rebeca, a Igreja do Senhor.

Esse servo viaja uma longa distância para encontrar sua noiva. Ele ora, pedindo um sinal: que a jovem a quem pedisse água se dispusesse, como boa serva, a oferecer também água para os seus dez camelos. Que moça teria tamanha disposição? Somente aquela cujo coração estivesse tomado por Deus.

O servo contou a Rebeca tudo sobre Abraão e sobre o noivo, e, claramente, ela vai se encantando por Isaque. Deus coroou sua missão com êxito.

A família de Rebeca pergunta se ela desejaria acompanhar o servo. Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você quer ir com este homem?” “Sim, quero”, respondeu ela (Gênesis 24.58), e quando prontamente disse “sim”, a vida dela mudou. A mesma pergunta é feita a nós: “Você quer seguir esse caminho para se encontrar com o Noivo, que é o nosso Senhor Jesus?” A família, então, a despede, a abençoa e libera palavras de destino sobre Rebeca. Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam. E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe: “Que você cresça, nossa irmã, até ser milhares de milhares; e que a sua descendência conquiste as cidades dos seus inimigos” (Gênesis 24.59 e 60).

No momento em que estavam chegando ao destino onde Isaque habitava, Isaque retornava do campo, da oração e do poço chamado Beer-Laai-Roi, que significa “O Deus que me vê”. Isaque ainda não havia sido completamente consolado pela perda de sua mãe. Rebeca desceu do camelo e perguntou quem era aquele homem que voltava do campo ao encontro deles. E o servo respondeu que era Isaque, o seu senhor.  Ela se cobre com o véu, gesto que revela sua pureza, encontra-se com o noivo, e ele a ama profundamente. Leva-a para a tenda de sua mãe, Sara, e Rebeca o consola pela perda materna. 

Esse capítulo nos oferece lindos e profundos ensinamentos, mas gostaria que você se atentasse a uma figura quase despercebida nessa Escritura, Débora, a ama de Rebeca

Débora aparece de modo singelo, porém significativo. Ela acompanhou a jovem e inexperiente Rebeca, permanecendo ao seu lado para auxiliá-la. Ela foi uma serva que viveu para cuidar de uma família. Débora, a ama de Rebeca desde a juventude, surge nas páginas das Escrituras quase como um sussurro, mas sua presença carrega um peso espiritual e emocional que atravessou gerações. 

Era comum, na antiga cultura patriarcal, que uma ama permanecesse a vida inteira ao lado da mulher a quem servia, acompanhando seus ciclos, segredos, dores e alegrias. Foi provavelmente ela quem cuidou de Rebeca nos seus primeiros anos, quem compartilhou com ela o espanto da partida rumo à nova vida ao lado de Isaque, e quem presenciou a formação daquela família prometida por Deus. Essas mulheres, silenciosas e quase invisíveis, carregavam em si a memória viva das casas que serviam. Só isso já explicaria a ligação profunda que existiria entre Débora e os filhos que Rebeca geraria, Esaú e Jacó.

A Escritura não descreve de maneira explícita o momento em que Débora passa a morar na casa de Jacó, mas o contexto nos conduz a uma compreensão natural. Rebeca, provavelmente já havia falecido e Débora foi viver na casa de Jacó. A ama que havia cuidado da mãe torna-se agora presença de conforto na vida do filho. A tradição judaica preserva justamente a imagem de uma mulher que atravessou gerações para servir como ponte afetiva entre Jacó e a mãe ausente.

A vida de Jacó até então fora marcada por conflitos, fugas, erros e reencontros difíceis. Ele deixou a casa dos pais fugindo da ira do irmão, sofrendo enganos e manipulações sob o teto de Labão, carregado de tensões conjugais e familiares, e vivido anos à espera de uma reconciliação que parecia distante. No meio dessa travessia, Débora era a presença estável, uma espécie de raiz afetiva plantada no coração de um homem sempre em movimento. Ela conhecia sua história desde antes de ele nascer, conhecia as dores de Rebeca e os caminhos de Isaque, e trazia consigo uma memória de ternura que ele não encontrara em mais lugar algum.

Débora, ama de Rebeca, morreu e foi sepultada perto de Betel, ao pé do carvalho, que por isso foi chamado Alom-Bacute (Gênesis 35.8). Quando a Escritura registra que Débora morreu, e que o lugar de seu sepultamento recebeu o nome de Alom-Bacute, o “carvalho do pranto”, não se trata de um detalhe acidental. A lágrima de Jacó era muito mais do que o lamento pela morte de uma serva amada. Era o pranto pela ruptura de seu último elo com a mãe. Rebeca já havia partido, silenciosa, sem narrativa, sem despedida. E Débora era a lembrança viva de tudo o que Jacó havia perdido, a voz que lhe recordava quem ele era e a quem pertencia. Ao sepultar a ama, ele sepultava também uma parte profunda de sua própria história.

Logo depois, Deus aparece novamente a Jacó. É como se, após o pranto junto ao carvalho, uma etapa se encerrasse definitivamente. O patriarca volta a Betel, lugar de sua primeira experiência com o Senhor que o acompanhava desde a juventude, e ali sua identidade foi reafirmada, não seria mais apenas Jacó, mas Israel. Débora, a ama, viveu à sombra da tenda de outros, dedicando-se a cuidar de uma família que não era biologicamente sua, mas que se tornou sua missão. Sua história, quase oculta, revela o poder daqueles que sustentam vidas sem aparecer, que levam alívio, e mostra como Deus valoriza o serviço fiel, a memória, a ternura e a presença silenciosa de quem caminha ao lado dos seus. Por isso seu nome permaneceu registrado, não para ocupar um trono, mas para lembrar que o Reino de Deus também avança por meio daqueles que servem em silêncio.

Quando Jacó perdeu a ama que acompanhava sua família e a própria vida, chorou profundamente. Foi um momento difícil, pois, em um curto espaço de tempo, Jacó perdeu Raquel, sua esposa, durante o parto de Benjamim.

Agora, vamos para esta outra Escritura, para entendermos com mais profundidade. Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, que em grego é Dorcas, que se dedicava a praticar boas obras e dar esmolas. Naqueles dias ela ficou doente e morreu, e seu corpo foi lavado e colocado num quarto do andar superior. Lida ficava perto de Jope, e, quando os discípulos ouviram falar que Pedro estava em Lida, mandaram-lhe dois homens dizer: “Não se demore em vir até nós”. Pedro foi com eles e, quando chegou, foi levado para o quarto do andar superior. 

Todas as viúvas o rodearam, chorando e mostrando-lhe os vestidos e outras roupas que Dorcas tinha feito quando ainda estava com elas. Pedro mandou que todos saíssem do quarto; depois, ajoelhou-se e orou. Voltando-se para a mulher morta, disse: “Tabita, levante-se”. Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Tomando-a pela mão, ajudou-a a pôr-se de pé. Então, chamando os santos e as viúvas, apresentou-a viva (Atos 9.39-42).

Na Bíblia, as viúvas eram as mulheres vulneráveis que dependiam do cuidado de Deus. 

Dorcas servia com suas habilidades; era costureira. Ela usou esse dom para vestir os necessitados e cuidar das pessoas ao seu redor. Mas agora, a serva que vestia os carentes morreu. Ela, porém, era uma figura tão importante que sua morte não foi aceita, de modo que ninguém preparou um sepultamento; levaram-na para um lugar mais alto.

A serva foi levada para um lugar mais alto. Servos sempre serão colocados em lugares elevados. Ao chamarem Pedro, todos tinham esperança de que aquela serva seria ressuscitada.

Duas mulheres que viveram para servir. Uma dedicou sua vida a uma família e, ao morrer, deixou profunda saudade, dor, pranto e falta. Ela viveu para servir à família de Rebeca. A outra, Dorcas, serviu aos necessitados e, quando morreu, a dor foi tão intensa que as pessoas não aceitaram sua partida. Ela não era uma costureira comum; era uma servaUsou suas habilidades para vestir os nus.

Quando o Espírito Santo trouxe essa Palavra ao meu coração, Ele me alertou para algo que vem acontecendo com muitas pessoas. O espírito de servo que foi colocado em cada um de nós, em alguns, morreu — e, no entanto, o maior é sempre aquele que serve. Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve (Lucas 22.27)

Servir é doar a vida, é viver por algo maior do que si mesmo.

Na história, encontramos reis que morreram e não deixaram nenhuma saudade, mas essas mulheres, que viveram de forma tão discreta, sem grande expressão, fazendo coisas que pareciam menores, foram justamente as que causaram impacto, marcaram gerações e deixaram saudade pela falta que fizeram.

É hora de as Dorcas ressuscitarem! É hora do espírito de servo, que em muitos morreu, voltar à vida. Onde estão aqueles que tinham prazer em cuidar de famílias, levar alívio aos outros? Onde estão aqueles que tinham prazer em vestir os nus? São muitas as pessoas que cruzam o nosso caminho e que estão nuas espiritualmente — e quem irá vesti-las, discipulando, conduzindo, ensinando, cuidando delas, vivendo além de si mesmo? A resposta é simples: nós, com nossa vida, nossa energia, nosso temponossos recursos, nosso amor, nossa atenção.

Que vivamos além de nós mesmos! Que vivamos uma vida doadora, que vá além de nós. Construa seu mundo fundamentado na missão. Organize sua vida de modo que tudo parta de um propósito maior do que interesses pessoais. Quando a missão se torna o eixo da nossa existência, as escolhas deixam de ser guiadas apenas por conveniências, sentimentos momentâneos ou ambições passageiras, e começam a ser moldadas pela consciência de que se vive para algo que transcende o próprio eu.

A missão confere direção. Ela evita que a alma se disperse em caminhos que não levam a lugar algum e sustenta a pessoa nos dias em que o coração vacila. Quando alguém vive movido pela missão, descobre que não precisa de aplausos para continuar, nem de reconhecimento para permanecer fiel; a força vem de dentro, porque está ancorada naquilo que Deus colocou como propósito de vida. Há um alinhamento entre vocação, identidade e prática.

Nesse tipo de vida, a missão passa a influenciar o modo como se trabalha, como se serve, como se ama, como se administra o tempo e como se interpretam as circunstâncias. A missão se torna a lente que filtra decisões e a bússola que evita desvios. O mundo que se constrói a partir dessa lente é mais firme, porque não depende das oscilações; é mais frutífero, porque cada passo é intencional; é mais coerente, porque tudo converge para um destino definido.

A vida fundamentada na missão expande a pessoa. Ela faz com que a habilidade, o dom, a dor, o encontro, as oportunidades ganhem sentido. A missão dá coesão ao nosso estilo de vida e nos transforma em ofertas vivas, e passamos a nos compreender como parte de algo maior, que serve, que alcança e que permanece.

Eu abençoo sua vida em nome de Jesus. 

Bispa Cléo Ribeiro Rossafa

Líder Espiritual do Ministério Mudança de Vida