A pessoa mais difícil de mudar é aquela que está em seu lugar de direito e tem certeza de que está certa. Ela possui um olhar altivo, arrogante, foi cegada pelos seus paradigmas e crenças equivocadas e, consequentemente, perde oportunidades grandiosas, incríveis e significativas, como aconteceu com Simão. Por ter convicção de que está em seu lugar de direito, ela acredita não precisar mudar. Afinal, está cheia de si, por isso, não enxerga o valor das oportunidades que Deus coloca à sua frente – Saia da cadeira de Simão!

Simão, o fariseu, convidou Jesus para um jantar – certamente, o Senhor era o mais ilustre dos convidados. No entanto, Jesus mostrou que Simão deixou de fazer até o que era costumeiro, tão ocupado estava ele em criticar por dentro, com a arrogância de quem se considera superior por ter uma ética religiosa. Vale lembrar que os fariseus eram extremamente rigorosos no cumprimento de protocolos, tradições e liturgias. Muitos deles se tornavam profundamente legalistas, presos a rituais, enquanto o coração permanecia distante da essência do amor e da graça de Deus.

Simão estava tão cheio de seus enganos mais sinceros, tão apegado às próprias convicções, que já não conseguia se apegar à verdade. Faltava-lhe a disposição de sair em busca dela, de estar aberto à mudança, de permitir que suas expectativas fossem frustradas, para que, enfim, pudesse encontrar algo maior.

Há momentos em que Deus frustra pessoas, expectativas e cenários, justamente para romper estruturas religiosas e orgulhos dentro de nós. Jesus provocou pessoas para confrontar a ética religiosa fria, vazia, endurecida e sem amor, e revelar corações.

O Senhor foi especialista em frustrar necessidades e carências percebidas, enquanto supria o que ninguém conseguia enxergar. Muitas vezes, o que mais precisamos é justamente o que menos percebemos. Insistimos em desejar aquilo de que, na verdade, não necessitamos, e sabemos que estamos no caminho certo quando Deus nos concede uma visão tão clara, tão profunda, que começamos a perceber o quanto eram desnecessárias tantas coisas que colocávamos em nossa mente de forma convicta, ainda que sinceramente enganosa.

O Evangelho de Lucas tem um gosto de família. Ele fala das alegrias e dos conflitos domésticos, das situações inesperadas que acontecem dentro de casa, traz a genealogia de Jesus, os laços de sangue, as histórias que qualquer pessoa reconhece como suas. É o Evangelho dos detalhes do cotidiano, das brigas, das reconciliações, das coisas miúdas que fazem parte da vida de todo mundo. Lucas retrata a face humana de Jesus, a Sua humanidade de carne e osso.

Durante um jantar, uma mulher conhecida na cidade como prostituta ouve que Jesus estava na casa de Simão. Ela faz algo que exige uma coragem quase absurda, entra sem ser convidada na casa de um homem profundamente religioso, sabendo muito bem o que os convidados pensariam ao vê-la ali.

Naquele tempo e cultura, as pessoas se reclinavam à mesa com os joelhos dobrados e os pés voltados para trás. Ao entrar, ela deve ter percebido de imediato que os pés de Jesus não haviam sido lavados, o gesto básico de hospitalidade que o dono da casa negligenciou, e sem pedir licença, ela se ajoelha para honrá-l’O.

O perfume derramado por ela sobre os pés d’Ele era caro, provavelmente comprado com o dinheiro da prostituição. O fato de o Senhor deixá-la tocá-l’O a transformou. Ela sentiu o perdão dos seus pecados, pois tinha consciência da vida imoral que levava. Sabia o quanto estava sendo amada e perdoada por Ele. Sabia também que, em termos de merecimento, não merecia nada.

A entrada daquela mulher na casa de Simão, durante o jantar, foi reveladora e nos ensina que certos acontecimentos existem justamente para revelar o nosso coração – e o coração de todas aquelas pessoas foi exposto, especialmente o de Simão.

Deus permite situações em nossa vida para trazer à superfície o que, de outro modo, jamais viria. Lembra quando, nos dias de Eliseu, o machado caiu no Jordão? (2 Reis 6.1-7). Ferro não flutua, mas pelo poder de Deus, flutuou. Às vezes, o que acontece conosco é exatamente o Seu poder fazendo flutuar à superfície do nosso coração as misérias mais pesadas, as que estavam ancoradas no lugar mais fundo de nós.

O ato de amor de Jesus expôs, como num quadro, a misericórdia sobre uma mulher vista sem nenhum valor, e ao mesmo tempo foi uma provocação. Foi um ato de amor que mexeu com as entranhas de todo mundo e tocou o problema real de todos. As lágrimas que ela derramou sobre os pés do Senhor revelavam uma gratidão profunda por estar sendo amada e perdoada — quem muito foi perdoado muito ama.

Quando o fariseu, dono da casa, viu a cena, disse consigo mesmo: “Se este homem fosse o profeta que pensei, saberia que tipo de mulher ela é” (Lucas 7.39, versão A Mensagem). Muitas vezes, estamos diante de uma cena e não percebemos que foi uma permissão de Deus para revelar o nosso coração. Ruminamos por dentro e não entendemos que o Senhor está expondo o Simão que há em nós, aquele que, por fora, apresenta uma ética religiosa impecável, que faz tudo certo, mas aponta para o outro e o julga.

Simão não verbalizou seus julgamentos. Ele os fez no coração. Por dentro, Simão se frustrou e se decepcionou com Jesus, porque havia construído uma imagem d’Ele, mas o que via diante dos seus olhos não correspondia às suas expectativas.

Olhe para o seu interior neste momento sem pressa. Será que você não está sentado na mesma cadeira de Simão, confortável no seu lugar de direito, com a sincera convicção de que está certo por causa da sua ética religiosa, sem perceber que o Senhor, com toda a ternura, está revelando o seu coração?

Aquilo que incomoda e mexe profundamente com você é uma permissão de Deus para revelar quem você realmente é, e o quanto, sem nem perceber, você está carregando visões equivocadas e pensamentos que nunca foram revistos à Luz d’Ele. O Senhor está permitindo que algo aconteça para quebrá-lo, para situá-lo diante de si mesmo, que o problema da sua vida não é o outro, mas o que você não está enxergando.

Nossos pensamentos sobre as pessoas podem estar sinceramente equivocados. Simão achava que Jesus era um homem espiritual, mas quando aquela mulher imoral O tocou, aquilo confirmou, aos olhos de Simão, exatamente o que ele sempre suspeitara.

Jesus sabia que tipo de mulher ela era. Sabia quem era Simão. Sabia quem eram todos os outros convidados. Aquela mulher era, para todos ali, o próprio Cristo, a cruz que ninguém queria por perto. Naquele jantar, o Senhor veio trazer metanoia, uma mudança de mente, a derrubada de todos os nossos enganos sinceros, de tudo que construímos e que não provém d’Ele. 

Para pessoas religiosamente alienadas, sempre será incompatível a ideia de Jesus aceitar, amar e perdoar esse “tipo de gente”, aqueles que, para elas, não têm a menor chance, mas que são precisamente os que Ele veio buscar e salvar.

O Senhor veio buscar e salvar os perdidos, e aquela mulher reconheceu que era um deles. Simão, não.

Saia da cadeira de Simão! 

Deus tem permitido provocações para revelar corações e fazer flutuar o que é denso, o problema real da sua vida. Muitas pessoas estão tão presas aos seus próprios julgamentos que, quando as coisas não saem do jeito que idealizaram, consideram tudo errado, e o que antes era bom deixa de ser. Simão rotulou Jesus, julgando-O, que se Ele fosse realmente o profeta, jamais deixaria aquela mulher tocá-l’O. E numa cena pedagógica, falando com Simão, mas olhando nos olhos da mulher, Jesus disse:

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Novembro de 2026 – Saia da cadeira de Simão! Saia da cadeira de Simão! Saia da cadeira de Simão! Saia da cadeira de Simão! Saia da cadeira de Simão! Saia da cadeira de Simão!... Link: Edição.

Edição de novembro de 2026

PALAVRA DE

Vida e Fé:

Saia da cadeira de Simão!

A pessoa mais difícil de mudar é aquela que está em seu lugar de direito e tem certeza de que está certa. Ela possui um olhar altivo, arrogante, foi cegada pelos seus paradigmas e crenças equivocadas e, consequentemente, perde oportunidades grandiosas, incríveis e significativas, como aconteceu com Simão. Por ter convicção de que está em seu lugar de direito, ela acredita não precisar mudar. Afinal, está cheia de si, por isso, não enxerga o valor das oportunidades que Deus coloca à sua frente.

Simão, o fariseu, convidou Jesus para um jantar – certamente, o Senhor era o mais ilustre dos convidados. No entanto, Jesus mostrou que Simão deixou de fazer até o que era costumeiro, tão ocupado estava ele em criticar por dentro, com a arrogância de quem se considera superior por ter uma ética religiosa. Vale lembrar que os fariseus eram extremamente rigorosos no cumprimento de protocolos, tradições e liturgias. Muitos deles se tornavam profundamente legalistas, presos a rituais, enquanto o coração permanecia distante da essência do amor e da graça de Deus.

Simão estava tão cheio de seus enganos mais sinceros, tão apegado às próprias convicções, que já não conseguia se apegar à verdade. Faltava-lhe a disposição de sair em busca dela, de estar aberto à mudança, de permitir que suas expectativas fossem frustradas, para que, enfim, pudesse encontrar algo maior.

Há momentos em que Deus frustra pessoas, expectativas e cenários, justamente para romper estruturas religiosas e orgulhos dentro de nós. Jesus provocou pessoas para confrontar a ética religiosa fria, vazia, endurecida e sem amor, e revelar corações.

O Senhor foi especialista em frustrar necessidades e carências percebidas, enquanto supria o que ninguém conseguia enxergar. Muitas vezes, o que mais precisamos é justamente o que menos percebemos. Insistimos em desejar aquilo de que, na verdade, não necessitamos, e sabemos que estamos no caminho certo quando Deus nos concede uma visão tão clara, tão profunda, que começamos a perceber o quanto eram desnecessárias tantas coisas que colocávamos em nossa mente de forma convicta, ainda que sinceramente enganosa.

O Evangelho de Lucas tem um gosto de família. Ele fala das alegrias e dos conflitos domésticos, das situações inesperadas que acontecem dentro de casa, traz a genealogia de Jesus, os laços de sangue, as histórias que qualquer pessoa reconhece como suas. É o Evangelho dos detalhes do cotidiano, das brigas, das reconciliações, das coisas miúdas que fazem parte da vida de todo mundo. Lucas retrata a face humana de Jesus, a Sua humanidade de carne e osso.

Durante um jantar, uma mulher conhecida na cidade como prostituta ouve que Jesus estava na casa de Simão. Ela faz algo que exige uma coragem quase absurda, entra sem ser convidada na casa de um homem profundamente religioso, sabendo muito bem o que os convidados pensariam ao vê-la ali.

Naquele tempo e cultura, as pessoas se reclinavam à mesa com os joelhos dobrados e os pés voltados para trás. Ao entrar, ela deve ter percebido de imediato que os pés de Jesus não haviam sido lavados, o gesto básico de hospitalidade que o dono da casa negligenciou, e sem pedir licença, ela se ajoelha para honrá-l’O.

O perfume derramado por ela sobre os pés d’Ele era caro, provavelmente comprado com o dinheiro da prostituição. O fato de o Senhor deixá-la tocá-l’O a transformou. Ela sentiu o perdão dos seus pecados, pois tinha consciência da vida imoral que levava. Sabia o quanto estava sendo amada e perdoada por Ele. Sabia também que, em termos de merecimento, não merecia nada.

A entrada daquela mulher na casa de Simão, durante o jantar, foi reveladora e nos ensina que certos acontecimentos existem justamente para revelar o nosso coração – e o coração de todas aquelas pessoas foi exposto, especialmente o de Simão.

Deus permite situações em nossa vida para trazer à superfície o que, de outro modo, jamais viria. Lembra quando, nos dias de Eliseu, o machado caiu no Jordão? (2 Reis 6.1-7). Ferro não flutua, mas pelo poder de Deus, flutuou. Às vezes, o que acontece conosco é exatamente o Seu poder fazendo flutuar à superfície do nosso coração as misérias mais pesadas, as que estavam ancoradas no lugar mais fundo de nós.

O ato de amor de Jesus expôs, como num quadro, a misericórdia sobre uma mulher vista sem nenhum valor, e ao mesmo tempo foi uma provocação. Foi um ato de amor que mexeu com as entranhas de todo mundo e tocou o problema real de todos. As lágrimas que ela derramou sobre os pés do Senhor revelavam uma gratidão profunda por estar sendo amada e perdoada — quem muito foi perdoado muito ama.

Quando o fariseu, dono da casa, viu a cena, disse consigo mesmo: “Se este homem fosse o profeta que pensei, saberia que tipo de mulher ela é” (Lucas 7.39, versão A Mensagem). Muitas vezes, estamos diante de uma cena e não percebemos que foi uma permissão de Deus para revelar o nosso coração. Ruminamos por dentro e não entendemos que o Senhor está expondo o Simão que há em nós, aquele que, por fora, apresenta uma ética religiosa impecável, que faz tudo certo, mas aponta para o outro e o julga.

Simão não verbalizou seus julgamentos. Ele os fez no coração. Por dentro, Simão se frustrou e se decepcionou com Jesus, porque havia construído uma imagem d’Ele, mas o que via diante dos seus olhos não correspondia às suas expectativas.

Olhe para o seu interior neste momento sem pressa. Será que você não está sentado na mesma cadeira de Simão, confortável no seu lugar de direito, com a sincera convicção de que está certo por causa da sua ética religiosa, sem perceber que o Senhor, com toda a ternura, está revelando o seu coração?

Aquilo que incomoda e mexe profundamente com você é uma permissão de Deus para revelar quem você realmente é, e o quanto, sem nem perceber, você está carregando visões equivocadas e pensamentos que nunca foram revistos à Luz d’Ele. O Senhor está permitindo que algo aconteça para quebrá-lo, para situá-lo diante de si mesmo, que o problema da sua vida não é o outro, mas o que você não está enxergando.

Nossos pensamentos sobre as pessoas podem estar sinceramente equivocados. Simão achava que Jesus era um homem espiritual, mas quando aquela mulher imoral O tocou, aquilo confirmou, aos olhos de Simão, exatamente o que ele sempre suspeitara.

Jesus sabia que tipo de mulher ela era. Sabia quem era Simão. Sabia quem eram todos os outros convidados. Aquela mulher era, para todos ali, o próprio Cristo, a cruz que ninguém queria por perto. Naquele jantar, o Senhor veio trazer metanoia, uma mudança de mente, a derrubada de todos os nossos enganos sinceros, de tudo que construímos e que não provém d’Ele. 

Para pessoas religiosamente alienadas, sempre será incompatível a ideia de Jesus aceitar, amar e perdoar esse “tipo de gente”, aqueles que, para elas, não têm a menor chance, mas que são precisamente os que Ele veio buscar e salvar.

O Senhor veio buscar e salvar os perdidos, e aquela mulher reconheceu que era um deles. Simão, não.

Saia da cadeira de Simão! 

Deus tem permitido provocações para revelar corações e fazer flutuar o que é denso, o problema real da sua vida. Muitas pessoas estão tão presas aos seus próprios julgamentos que, quando as coisas não saem do jeito que idealizaram, consideram tudo errado, e o que antes era bom deixa de ser. Simão rotulou Jesus, julgando-O, que se Ele fosse realmente o profeta, jamais deixaria aquela mulher tocá-l’O. E numa cena pedagógica, falando com Simão, mas olhando nos olhos da mulher, Jesus disse:

Eu vim à sua casa, 

e você não me trouxe água para os pés; ela, porém, 

derramou lágrimas nos meus pés e os enxugou com os cabelos. 

Você nem me cumprimentou direito, mas, desde a hora em que cheguei aqui, ela não se cansa de beijar meus pés. Você não me recebeu como é nosso costume, derramando azeite em minha cabeça, mas ela perfumou meus pés. Não foi assim mesmo? 

A razão de tudo é que ela foi perdoada de muitos pecados, por isso está tão agradecida. 

Quem recebe pouco perdão mostra pequena gratidão” 

(Lucas 7.44-47, versão A Mensagem).

Alguns se dizem cristãos, mas nunca encontraram os olhos do Senhor. Como encontrariam, se não têm o coração daquela mulher? Dificilmente encontraremos os olhos do Senhor enquanto agirmos como Simão. Jesus respondeu a Simão, mas foram os olhos da mulher que encontraram os Seus.

Aquela mulher estava tão agradecida… Ela derramou nos pés do Senhor a gratidão de quem sabia que não tinha direito algum, que fez escolhas terríveis a vida inteira, e que ainda assim foi recebida, amada e aceita no Reino dos Céus.

Que jantar! Para fechar com chave de ouro, e terminar de frustrar a todos os presentes, Jesus a perdoou. Em seguida, Jesus disse à mulher: “Eu perdoo seus pecados” (Lucas 7.48, versão A Mensagem). A única pessoa que saiu transformada após o jantar foi a mulher, porque ela sabia que viveu uma vida completamente errada e que só a misericórdia poderia salvá-la. E que misericórdia é essa? Em hebraico, a palavra vem da raiz que significa “útero, ventre materno”. Uma conexão belíssima, que transmite a ideia de um amor visceral, profundo, gerado nas entranhas. É exatamente isso o que Jesus derramou sobre aquela mulher, um amor que gera, que recria, que faz nascer de novo. Foi essa misericórdia, o amor de Jesus naquela Cruz, que nos deu a oportunidade de nascermos de novo, que nos resgatou e nos salvou.

Conte com minhas orações, sempre. Eu abençoo sua vida em nome de Jesus!

Bispa Cléo Ribeiro Rossafa

Líder Espiritual do Ministério Mudança de Vida